ONDE VOCÊ ESTÁ COMO LIDER?


Onde você está como líder?


Há trinta e cinco anos quando eu estava em meus 20 e poucos anos e curtia meu primeiro cargo de liderança, me sentia pronto para transformar o mundo. É claro, eu carregava algumas BHAGs (“Grandes Objetivos Cabeludos e Audaciosos” - Big, Hairy Audacious Goals), um conceito introduzido no livro “Built to Last” (Construído para Durar), de Jim Collins e Jerry Porràs.


O feedback dizia que estavam contentes com meu trabalho, e que gostavam de mim, mas eu caminhava tanto à frente que eles não podiam me enxergar ou entender a visão que me instigava. “Tente ficar mais no meio do caminho do que correr a quilômetros de distância”, eles me sugeriram.


Hoje, este tema é constante em minhas sessões de coachingcom líderes, e uma das dicas de liderança mais práticas que eu posso oferecer é:


“Como um líder, você deve ficar a uma distância suficiente onde observe a visão, mas não tão distante que as pessoas não te vejam mais.”


Como Collins explica: Ter uma BHAG é ser claro e convincente, necessita o mínimo de explicação e as pessoas a entendem rapidamente. Pense numa missão da NASA, quando levou o homem à Lua, em 1960. Um ingrediente chave para uma BHAG convincente é que estava longe o suficiente para mostrar entusiasmo e ainda permitia acelerar adiante, mas claro e imediato o suficiente para que as pessoas soubessem o que fazer em seguida.


Como líderes, precisamos viajar frequentemente, idas e voltas entre o grande objetivo no futuro e as ações e atividades do presente. Nos sentimos com papeis duplos como um telescópio (visionários) e um microscópio (praticidade), segurando tanto a visão global quanto a visão local. Dica: é bom manter o convite para que os times se juntem a nós, oferecendo os próximos passos, caminhando lado a lado pelos caminhos que precisarem.


Recentemente fiz coaching com um líder que tinha uma visão extraordinária para sua organização, mas ninguém comprava e nem entendia a ideia. Pior, estavam reagindo de forma negativa porque a visão era grande e ousada demais.


Mesmo assim, aquele líder era determinado e não queria recuar ou aceitar encontra-los no meio do caminho; demorou uns 45 minutos de conversa para que se convencesse a tentar. Como líderes, podemos adquirir uma visão de túnel, mas se recuamos um pouco, podemos descobrir que separar uma visão em partes não quer dizer desistir dela; só estamos abrindo as possibilidades para que outros caminhem juntos.


Em nossa jornada as pessoas entram no “barco” com uma visão diferente, em momentos diferentes e, em lugares diferentes. Sempre haverá os que entram mais cedo, os que chegam mais tarde e pessoas que ficam sempre em cima do muro pelo caminho. Meu cliente foi um dos que chegou primeiro, enquanto outros não estavam confortáveis como as coisas estavam no momento e ficavam nervosos como as coisas podiam ir muito longe, seguindo em outra direção.


Este é o momento onde um coach pode ajudar muito o líder. Nossa estrutura como coach exige que “olhemos de fora”, facilitando os próximos passos e olhando para a visão. Em nossos programas de treinamento de coaching ensinamos o “Modelo da Ponte”. Viajamos com clientes para a grande visão do futuro, daí retornamos e construímos uma ponte – o plano estratégico para como chegaremos lá. Revelamos se há brecha, o espaço entre a realidade atual e o ideal da realidade futura, e fazemos o coaching nesse espaço.

Então, como um líder pode manter sua visão extraordinária e não deixá-la apagada ou permitir a perda de entusiasmo enquanto espera que outros subam à bordo? Aqui estão algumas ideias que podem ajudar muito:


1. Autorize e celebre vitórias rápidas– Em Managing Transitions (Gerenciando Transições), o autor William Bridges fala de criar objetivos de curta duração, dando aos membros do time sucessos rápidos, que são aqueles pequenos passos de bebês que constroem e geram impulso.


2. Saia de traz das cortinas– As pontes também encorajam os líderes se tornarem visíveis e disponíveis para falar mais a respeito da sua visão. Não fique escondido como um avestruz no buraco, preocupado em estar vulnerável, abrindo sua visão para questionamentos e crítica. É natural o sentimento de buscar se auto proteger; fica até mais fácil de fazer se não der lugar a conselhos de terceiros mas, também poder ser muito menos efetivo seguir adiante dessa forma.


3. Convoque seu time– Alguns líderes são tão naturalmente visionários que lhes parece impossível enxergar algo mais prático; mas é aqui onde seu time vem para colaborar. Você não precisa fazer tudo; mas pode encontrar pessoas que complementem suas habilidades e forças. Quando eu olho para trás e observo as visões que lancei com maior sucesso, posso constatar claramente que um grupo de pessoas que me ajudou a repartir as coisas e chegar ao meio termo.


Onde a sua visão como líder te distanciou de seu time? Como você pensa em retornar e permitir que outros subam estes degraus com você?


Grande abraço!


J Val Hastings

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