E Se Não Fôssemos Especialistas?


E se não fôssemos especialistas?


Em um recente encontro de coaches entramos no tópico da palavra coaching. Alguns ficaram reticentes, mas rendeu uma boa discussão. Se não fôssemos chamados coaches, o que mais seria? Algumas opções foram levantadas, inclusive aprendizes.


Sim, entendemos como um cliente de coaching pode ser um aprendiz, buscando ganhar alguma conscientização a partir da experiência do seu coach – particularmente, quando o coach já lidou com desafios profissionais similares ou situações equivalentes ao seu cliente. Mas, nossa conversa realmente deu uma guinada fascinante quando olhamos para o coach como aprendiz, e o que aconteceria se fizéssemos assim. Ao contrário de uma dinâmica entre um especialista e o aprendiz, o que seria se os dois fossem apenas curiosos?


O que realmente aconteceria se o coach e seu cliente fossem, juntos, apenas aprendizes?

Parte do que os alunos coaches não gostavam no termo coach é que este traz o entendimento de “Eu sou o especialista”; “Eu sou o sábio aqui”. Se todos fôssemos aprendizes, por outro lado, estaríamos todos num aprendizado contínuo, desenvolvendo juntos nossas forças e habilidades. “Eu não tenho uma resposta, mas veja o que funciona para mim”.


Coaches sempre aprendem com seus clientes; esta parte é curiosamente essencial no relacionamento. Quando estamos juntos no aprendizado, há um processo de abertura e oportunidades crescentes. Quando são apenas dois aprendizes na sala e nenhum especialista, emana um sentimento de liberdade que pode desatar toda sorte de novas ideias e possibilidades. Um compartilhamento mútuo ocorre e uma sabedoria combinada emerge. Nenhum de nós tem a resposta, ainda assim as respostas aparecem!


Em 2014, uma série de experimentos da Harvard Business School demonstrou como entrar na “mente do aprendiz” ajuda romper o que chamamos de “a maldição do conhecimento”. Naquela pesquisa foi pedido a um grupo de guitarristas profissionais que invertessem a posição de suas guitarras e trocassem de mãos para fazerem os acordes com sua mão direita, enquanto o outro grupo tocou normalmente.


Depois pediram que os grupos comentassem um vídeo sobre guitarristas amadores que se apresentavam com dificuldade. Os profissionais que haviam experimentado tocar ao contrário do habitual e forçados a aprender um novo jeito de tocar foram muito mais encorajadores com os guitarristas amadores e deram conselhos específicos de ação. Os que tocaram normalmente demonstraram menor empatia com os iniciantes e sistematicamente apontaram erros e falhas ao contrário de os ajudarem a fazer melhor.


Este é um bom exemplo para quando os coaches ficam tentados a apertarem o “modo especialista de conselho”. Ficamos muito mais empáticos e sensíveis quando podemos nos ver como aprendizes. O coaching, quando exercido no nível de aprendizado pode elevar o poder no relacionamento e não devemos subestimar a importância e o poder dessa dinâmica.


Um aprendiz não começa do zero, e nem os nossos clientes de coaching. Cada parceria entre coach e cliente, aprendiz e especialista, apresenta lições importantes. Como aprendiz, eu não busco resolver um problema ou transmitir meu conselho de especialista; apenas quero estimular você me tornando um catalisador que incentiva a ativação de seu pensamento. Está aqui a diferença entre resolver um problema e desenvolver a pessoa. Eu não tenho as respostas, mas fico curioso a respeito daquilo que você já conhece!


No coaching, sendo aprendizes, é como se estivéssemos virando a guitarra, procurando descobrir o que acontece, ao contrário de apresentar "minhas" excelentes respostas. Isto tem a ver com a transformação de nossos clientes em aprendizes e, nós, como coaches nos disponibilizando para chegar lá com eles, aprendendo juntos.


Desejamos o melhor para você,


J Val Hastings, MCC-ICF, C4TL, Presidente

Marcos A Camargo e Silva, ACC-ICF, C4TL-Brasil

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